Cuidados veterinários – Breve perspetiva zoológica

Cuidados veterinários – Breve perspetiva zoológica

Em 1923, Herbert Fox, da Sociedade Zoológica de Filadélfia, publicava “Disease in captive wild mammals and birds”, o primeiro livro sobre medicina veterinária de animais de Zoo. Desde então seguiram-se muitos outros. Hoje em dia, passados tantos anos, a informação é vasta e disponível, mas ainda assim insuficiente. Foram muitos anos, mas também são muitas as espécies, cada uma com as suas próprias exigências naturais, constantemente postas à prova a tantos níveis pelo cativeiro que impõe no espaço de um parque, a existência, em simultâneo, dos 5 continentes.

Os parques zoológicos passaram a assumir um papel mais importante e ativo, deixando de ser meros recintos de exibição de animais e convertendo-se em “centros” de investigação, educação e conservação onde, em alguns casos, são mesmo o último reduto de uma espécie.

Os cuidados veterinários nos zoos tornaram-se assim, uma necessidade elementar, mas ao mesmo tempo muito mais sofisticados. Os veterinários passam a ter treino médico especializado e ferramentas ao nível da medicina humana.

CUIDADOS SEM MIMOS

A capacidade de tratar animais está muito além do gosto ou da empatia que possamos ter por eles. Animais selvagens em cativeiro, por muito habituados que estejam ao contacto com o homem, não são e não se comportam, como animais de estimação.

O cão, o gato, o cavalo, a vaca, a cabra, a ovelha ou o porco, são as espécies que chamamos de animais domésticos e todas elas tem milhares de anos de convivência direta com o homem. Pelo contrário, os animais selvagens, ainda que “amestrados”, têm uma herança de milhares de anos sem a influência do homem.

Por este motivo, facilmente se entende que para um animal selvagem, o nosso gesto de carinho, possa não ser interpretado como tal. O aproximar de uma mão para afagar, apenas significa quebrar a distância que o animal considera como segura para si. Uma caricia rapidamente se converte numa ameaça que inevitavelmente despoleta uma reação de defesa e induz stress.

MUITO MAIS QUE UM COMPRIMIDO

É o melhor entendimento de todos os fatores que influenciam a saúde, que impõe que a medicina veterinária dos animais, num zoo, seja muito mais que administrar um medicamento ou desinfetar uma ferida.

O desafio de manter uma coleção viva de boa saúde é aliciante, mas também muito complexo e idealmente deve debruçar-se na prevenção e na deteção atempada da doença.

É certo que o veterinário é chamado a intervir ativamente quando uma animal se magoa, adoece ou é necessário capturar para um transporte, mas outras ações, como o controlo na entrada de novos animais são igualmente importantes.

Quando chegam, os novos “inquilinos”, são sujeitos a um período de quarentena. Uma vez isolados, são testados para diversas doenças e submetidos a eventuais tratamentos, antes de serem introduzidos na coleção. Assim evita-se que contagiem os residentes.

O programa profilático – um conjunto de ações definidas que visam melhorar a resistência à doença e ao mesmo tempo reduzir ao máximo a exposição aos agentes patogénicos – é implementado durante todo o ano e engloba para além da quarentena, as desparasitações ou as vacinações.

DESCOBRIR A CURA

Mas todo este trabalho não estaria completo se não fosse aproveitado para estabelecer parcerias que de uma maneira imediata ou a longo prazo, permitem evoluir outras áreas da ciência. A investigação é uma das ambições dos novos zoos e a veterinária tem um papel ativo.

Apurar um diagnóstico ou descobrir a cura para uma doença, estudar o desenvolvimento embrionário ou apenas recolher e preservar, para estudos futuros, amostras biológicas, são alguns exemplos de como a medicina veterinária zoológica evolui continuamente.

É com uma visão ambiciosa de evolução mútua que, atualmente e com os olhos postos no futuro, as associações, as universidades ou instituições de ensino, os laboratórios, as empresas e muitos outros organismos privados trabalham com os zoos, mais particularmente com os seus serviços veterinários.

O potencial do acesso a animais cuja alternativa seria apenas o estado selvagem, é uma ferramenta muito útil para as diversas áreas de estudo, muitas vezes enleadas umas com as outras onde o veterinário do zoo é um dos elos mais importantes nesta corrente de relações.

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